Pró-Licenciatura em humanidades


Mitologia Clássica

A TITANOMÁQUIA

Durante onze, pelo governo do mundo, lutaram os titãs desde o monte Otris contra os Olímpicos, que chegariam a reinar desde o monte Olimpo. A informação conservada sobre a Titanomáquia procede da Teogonia de Hesiodo.

Tudo começa quando Crónos castra ao seu pai Urano liberando assim à sua mãe Geia. Deste modo governa ocupando o trono do seu pai. Crónos casa com Réia e mal lhe nascem os filhos vai devorando-os mas na sexta vez que Réia fica grávida ela decide impedir o infanticídio do seu esposo com a ajuda de Geia. Dá a Crónos uma rocha no lugar do seu filho Zeus. O jovem deus é levado pela sua mãe a uma ilha de Creta onde é criado pelos Curetes e as ninfas Adrastea e Ida.

Quando Zeus se fez adulto, Metis deu a Crónos uma beberagem que o obrigou a vomitar aos seus filhos. Daquela Zeus uniu-nos em rebelião contra o seu pai Crónos iniciando a batalha. Os olímpicos declaram a guerra às velhas deidades, os titãs. Estes, governados por Crónos, eram Ceo, Crio, Hiperión, Japeto, Átlas e Menécio, enquanto os Olímpicos, governados por Zeus, eram Hestia, Hera, Deméter, Hades e Poseidón. Provavelmente Estígia e os seus filhos também participaram na luta no bando de Zeus, assim como os cíclopes que foram encarcelados por Crónos.

Uma vez os olímpicos ganham, Zeus concede os domínios aos deuses aliados segundo um sorteio que é o mesmo que os gregos praticavam para se repartir os botins de guerra. Consistia em pôr umas tabuinhas com as diferentes opções a sorteio, no interior dum elmo. Assim é como lhe tocou aos grandes filhos de cronos o seu domínio: Posseidom o mar, Zeus o céu e Hades o submundo. Entre os deuses olímpicos, que são 12, os principais, os deuses pais, regentes, são Zeus, Posseidom e Hades.

OS DEUSES OLÍMPICOS:

1. Zeus: Filho de Rea e Crónos.  É o deus indo-europeu do céu. Procede do termo indo-europeu “deiwos” que significa luz ou luz celestial. É a ideia do deus pai por excelência, capaz de fazer valer a sua autoridade e de engendrar. Na Teogonia de Esiodo, ele não é um dos deuses primeiros e principais, mas o resultado de acontecimentos futuros. Zeus é aquele deus que engendrará a mais deuses e deusas em união com deusas e mortais. O trunfo de Zeus na grande batalha contra Cronos e os malvados seres, marca uma nova ordem, mesmo uma nova religião na que se sintetizam os velhos cultos. Ele é simbolizado com o raio e com a azinheira (árvore que atrai aos raios), como símbolos herdados da cultura indo-europeia. É um deus capaz de se metamorfosear em animais poderosos como a aguia e o touro, entre outros. Quanto à figura antropomórfica de Zeus, ela responde à imagem do pai de família, protetor e maduro, assim como também lembra à imagem de qualquer rei micénico de grandes poderes. Passado o tempo, numa época muito tardia Zeus chega a assumir as funções e competências atribuídas ao resto de deuses para se tornar numa figura realmente todo-poderosa. Passa-se do politeísmo ao monoteísmo como a figura de Zeus como único deus. Ele é ademais um deus panelénico pelo que não há povoação grega que não lhe erga templos e lhe oferenda culto. Um dos seus templos mais importantes situa-se em Olímpia, onde se celebram os grandes jogos desportivos na sua honra.

2. Posseidom: Era em princípio a deidade dos cavalos, capaz de gerar terremotos. Varão adulto, também tipo pater famílias, com forma completamente humana. É um antigo deus supremo. Aquando toma o poder dos oceanos o seu símbolo é o tridente.

3. Hades: no sorteio tocou-lhe o governo do submundo. É uma imagem similar a Zeus ou a Posseidom, imagem de pater famílias e regente. Não é a única figura malvada ainda que sim marca o seu caráter o facto de ter que governar as sombras. Acostuma ser representado com o corno da abundância pois dele são os tesouros do interior da terra: minerais preciosos, ouro, prata, etc.. Hades é um deus que não acostuma assistir às assembleias às reuniões dos deuses Olímpicos por isso não é habitual que figure nas representações dos deuses reunidos. Ele rapta e depois casa com Perséfore, deusa das colheitas. O reino de Hades está dividido entre o Tártaro, lugar escuro onde vão as almas condenadas pelos seus maus-atos, os campos asfódelos onde as almas vagam quase sem consciência, sedentes literalmente de sangue, e os campos elísios onde vão os agraciados pelos deuses.

4. Deméter: (Etimologia) A mãe generosa que dá. Deméter herda o carácter de Deusa mãe, a mesma conotação que Geia e Reia. Deméter tá especializada na fertilidade da agricultura e dos cereais. É a irmã de Poseidón, Zeus, Ades, etc.. Representa-se adornada com espigas de trigo às vezes com um facho quadruple. A sua filha foi raptada por Ades e, em consequência ela faz com que não germine nada da terra mas tempo depois soluciona-se o conflito. Triptolemo, no nome da deuse, percorre as terras mostrando-lhe aos homens como cultivar. Deméter tivo relações com Poseidón e com Zeus, o que significa que se leva esta deusa neolítica à religião olímpica. Yasión também manteve relações com Deméter e com ele tem um filho, Pluto. O culto de Deméter estava associado com os lugares onde se cultivava cereal.

5. Era: Filha de Crónos e Réia. Condição de reina de deuses segundo a etimologia. O seu culto mais antigo está em Micenas e Árgos. É a esposa de Zues, sentada com um báculo no trono de ouro. É cimenta porque não tolera as aventuras amorosas do seu esposo. É a protetora do matrimónio e castiga aos infiéis. O equivalente romano é Juno e assiste aos partos mentres que na Grécia por meio duma das suas filhas, Elítia. O culto de Era é independente ao de Zeus, com templos próprios. O seu matrimónio recreia o encontro entre a fertilidade e a criação. Concebe por si mesma a Efesto. Na Iliada aparece Zeus e Era sempre a discutir. É simbolizada com o trono em ouro, a flor de liz, o velo, o báculo, o pavão (que chega da Índia de mão de Alexandre Magno), o cuco e a vaca.

6. Ateneia: Deusa da sabedoria, das justiças, das leis e das táticas militares. Zeus tem uma relação com Métis mas para que Era não o soubesse engoliu-a. Depois tiram-lha da cabeça com um machado. Atenea é simbolizada com o moucho, o elmo, a lança e a oliveira. Diz que inventou os barcos. Tem festividades na sua honra como a Arretagória Chalkeia e a Plyntéria, entre outras. Também é símbolo das artes e da sabedoria. Ademais é uma deusa que se mantém virgem.

7. Ártemis: É a irmã de Apolo, uma deidade jovem. É também uma deusa mãe. Não tem etimologia conhecida. É uma virgem da caça e patroa dos partos. É protetora dos recém-nascidos. É representada sempre entre animais. As suas origens poderiam ter a ver com ima deusa ursa do Paleolítico. Porta arco e frechas. Em vários mitos ela é inimiga de Afrodita. A ela consagravam-se as jovens que iam casar. Associa-se também com a lua.

8. Érmes: Filho de Zeus e a Titánide Malla. A origem deste está em Arcádea, uma das zonas mais isoladas e pobres da Grécia. É o mensageiro dos deuses. O nome de Eremes está nas Ermas que eram montículos de pedra para delimitar territórios. É considerado um pouco como um estafador. É o patrão dos passageiros, comerciantes e furtivos. É simbolizado com um sombreiro, um manto e um cajado. É considerado o criador do alfabete e da oratória. Também é o condutor das almas dos mortos ao reino do Hades. Também é considerado deus da fertilidade masculina.

9. Efesto: É um deus do lume, de origem oriental. Com o tempo, na Idade dos Metais, converte-se num deus da civilização especializado na ferraria. Na Grécia os artesãos e os ferreiros são desacreditados pela nobreça o que faz com que Efesto seja um deus marginado. É concebido por Era mas saiu-lhe mal duma perna pelo que o bota fora do Olimpo mas Efesto vinga-se construíndo um trono para todas as divindades mas o de Era é uma armadilha. Ao sentar nele fica presa e só o próprio Efesto a podia liberar, pelo que se havia de cumprir a sua vontade ou nom a liberaria. Finalmente promete-se a Afodita e converte-se no artesão dos deuses. Chegou a criar o um escudo para o Aquiles por petição da Tétis. Nele combinam-se deformidade e destreza. O facto de que case com Afrodita pode vir de que em Chipre, ilha de Afrodita, havia inúmeros ferreiros.

10. Ares: É um deus de origem estrangeira. É a personificação dos aspetos mais violentos da Guerra. Trata-se do filho maior de Zeus e Era. Zues maldize-o. Em todos os enfrontamentos saiu mau parado e Zeus envergonhou-se dele. É um guerreiro frustrado que mantém uma relação amorosa com a Afrodita. Na Grécia quase não recebia culto. Teria que aguardar ao esplendor romano para achar maior reconhecimento.

11. Dionisos: Em princípio não era Olímpico mas ao final atinge esse ojetivo. Ele persistia incansavelmente até que o logra. A ração de que em princípio ficasse excluído devia-se a que tinha um carácter pouco compatível com os olímpicos. A sua etimologia fala duma deidade autóctone. Filho de eus e duma mortal, Semele quem, estando grávida, obrigou a Zeus a manifestar-se na sua verdadeira forma, isto é, em raio. Perante isto Semele morre, incapaz de sobreviver ao raio. Daquela Zeus transplanta ao o feto para a sua coxa para a sua gestação. Existem dous cultos de Dionisos, um arcaico associado com a vegetação, e um culto novo onde é capaz de se manifestar em pessoa entre os seus adeptos durante as cerimónias noturnas, cerimónias que tinham lugar nas aforas da cidade, no bosque, onde se esquartejava um cordeiro e onde se comia carne crua.

O HADES

Designava tanto o Deus como o seu reino, baixo terra. Lá iam todos os mortos, bons ou maus. Uma vez mortos Ermes guiava-os até as portas do Hades para que lá fossem julgados. O Hádes é um reino subterrâneo, escuro e húmido, rodeado pela parte subterrânea de 4 rios: o Estige (r. do ódio), o Aqueronte (r. da Aflição), o Lete (r. do Esquecimento) e o Piriflegetonte (r. do Lume). No nevoeiro a alma chega a um largo (não longo) rio de turbulentas augas e daquela sube à barca do velho Caronte, a quem lhe tem de pagar duas moedas que se lhe colocavam ao cadáver na boca ou nos olhos quando se celebrava o rito de funeral.

Caronte era o filho imortal de Erebo e da Noite, levando as almas dos mortos pelo Estige (há outras versons que também citam aos outros rios) até o Hades. Tinha o cometido de nom deixar passar a nenhum vivo mas é sabido que em certas ocasiões foi burlado. É assim que as almas dos defuntos chegam à entrada interior do Hades, entrada custodiada pelo cão de três cabeças e rabo de serpe, Cerbeiro. Era filho de Tifon e Equidma e não fazi qualquer mal às almas dos mortos, unicamente aos vivos que se achegassem ao Hades salvo em algumas ocasiões como quando o Ofeio o logrou dormir com a sua música, ou quando Eneas também o dormiu cuma comida especial, ou quando o Heracles o derrotou.

O Hades ficava repartido em várias partes: Os campos Asphódelos, um lugar cinzento, chão e nebuloso onde as árvores se inclinam, lugar onde as almas vagam sem consciência, fomentas literalmente de sangue. Mais lá tá a região do Erebo e a lagoa que forma o rio Leteo, onde iam beber os mortos. (ao beber esqueciam a sua vida passada). Cerca estam os Campos Elísios, lugar reservado para os agraciados pelos deuses e mais alá o Tártaro, onde vivem as almas atormentadas. No Hades também estam as torres do palácio do Hades e Perséfone, mas antes de chegar ao palácio real está o Palácio de Justiça, onde se julgam as almas pelos seus delitos passados. Do seu veredicto dependerá o destino dos julgados.

Se o julgado é declarado nem bom nem mau daquela vai para os campos Asphódelos; se é declarado extraordinariamente bom, é enviado para os campos Elísios, lugar duma minoria. Se era julgado malvado ia destinado para o Tártaro, onde Zeus encerrou aos titãs rebeldes, um lugar cercado por uma muralha e uma porta de bronze que só se abria para a entrada dos condenados.

EXAME MITOLOXÍA CLÁSICA (2009-2010) 17 de Febreiro de 2010

A. Cuestións básicas:

  1. O frontón principal do templo de Ártemis en Corfú está presidido por unha imaxe en relevo de Medusa. Ao seu lado hai duas imaxes, un cabalo alado e un home novo sen ningún atributo recoñecíbel. Este último foi identificado polos estudosos como Crisaor. Por que?
  2. Segundo o relato mitolóxico, Pigmalión, Cíniras e Adonias representan tres xeneracións dunha dinastía real estreitamente ligada a unha deusa. Cal é?
  3. Bibliotheca e Fabualae son dous títulos dos manuais de mitologxía máis importantes da antiguedade. A quen están atribuídos?
  4. As Gorgonas, as Greas (ou Grayas), a Quimera, a Equidna, a Esfinxe, a Hidra de Lerna, o can Cerbeiro e outros monstros antagonistas nas distintas sagas heroicas (Perseo, Heracles, Belerofonte, os Argonautas…) foron catalogados por Hesíodo nunha xenealoxía concreta. De que parella parte esta xenealoxía? Quen enxendrou a esta parella?
  5. A lista dos Olímpicos reúne normalmente a 12 deuses. Non se acostuma incluír a Hades e, co tempo, outra deusa maior como Hestia, foi substituída por Dioniso. Cal é o nome dos restantes once deuses?
  6. Quen son os dous herois máis importantes da genealogia argiva? E de Atenas?
  7. Cais son os tres ámbitos funcionais nos que os indoeuropeos estruturaron a súa visión do mundo, segundo a teoría de Dumézil?
  8. Segundo o Mahabharata, os deuses libraron a terra do peso dos herois por medio dunha grande batalla, chamada de Kuruksetra. Por medio de que duas grandes acontecementos bélicos explicaron os mitógrafos gregos o exterminio da raza dos herois?
  9. Como se chama ao feito de converter a un ser de carne e óso en estrela ou constelación?
  10. Dentre os olímpicos, dous deuses recibiron un culto particular, non basado na distancia insuperábel senón xustamente no contrario, na iniciación e na participación nos seus misterios, na cercania e comunión de estes deuses com os seus iniciados. De quen se trata?

B. Cuestións a desenrolar

  1. Un himno homérico presenta a Afrodita como pótnia théron (señora dos animais); Zeus segundo unha tradición local, naceu e morreu xoven na Creta; Hera aparece tamén como deusa dos partos; varios indicios mostran a Poseidón como deus ctónico (da terra); a infernal Hécate é para Hesíodo unha grande deusa ningunha connotación tétrica… Cal é a razón destas paradoxas, é dicir, que estes deuses se presenten en ocasións nunha circunstancia ou actitude non acorde coa función asignada pola relixión olímpica?
  1. Cuais son as razóns de que no corpus mitolóxico grego nos encontremos tradicións distintas relacionadas cunha “primeira parella” ou un “primeiro home”?

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Valor das pregunta: 0.7 as do apartado A (Total 7). 1.5 as do apartado B (Total 3).

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