Pró-Licenciatura em humanidades


História Moderna

Ano 2009/2010

Com Antonio Presedo

Despacho 122 Correio-e: antonio.presedo@usc.es

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1. CARACTERÍSTICAS DA HISTÓRIA MODERNA

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a) Dificuldades para estabelecer uma cronologia fixa


Está claro que a Época Moderna inclui um tempo dentro dos fins da Idade Média e começos do século XVIII. Existem vários dados clave para tomar como referência, mas eles não ficam isentos de polémica: desaparição do último vestígio do Império Romano; a caída de Constantinopla; a fim da Guerra de Granada e o Descobrimento da América. Poderia-se dizer como conclusão que a Idade Moderna tem início a fins do século XV e começos do XVI (1425-1450) e que acaba entre os séculos XVIII e XIX (1680-1820), se bem também é certo que dependendo de cada país podemos concretizar mais as datas.

b) O que achegou esta época

A Idade Moderna assiste ao despertar da Europa, depois de épocas de longas guerras, pestes e fomes. Agora os Estados Europeus ao fim se estabilizam e chegam a acordos fronteiriços o que concede uma grande sensação de segurança numa Europa nova que se torna na primeira potência mundial.

c) Renascer da Europa

A fins e mediados do s. XV movimentos demográficos dinamizam a povoação. Começa-se a ganhar terras de cultivo aos montes, aumenta o número de habitantes e repovoam-se zonas abandonadas por retornados e estrangeiros. Por exemplo, a Provença é repovoada com lombardos.

Os núcleos urbanos também experimentam uma considerável ré-povoação. São as urbes e o seu ressurgimento uma marca de diferença entre a Idade Média e a Época Moderna. Revitaliza-se a economia o que permite a reabilitação de campos de cultivo, o que implica um crescimento positivo da povoação. É uma época na que o sector agro-pecuário é a principal fonte de abastecimento.

Nos produtos agrícolas há predilecção pelos cereais mas devido ao início desta nova época vai-se intentar incrementar os benefícios produzindo mais excedentes agrícolas e, no âmbito urbano, aumentando o artesanato e a indústria. Para abastecer esta indústria cultiva-se linho e plantas das que extrair tintas para os têxtils. Aparecem algumas melhoras técnicas na agricultura e na ganadeira como uma cria alta de resses bovinas.

É, por tanto, que se assiste a um aumento de zonas de cultivo, a uma variedade de cultivos e a uma especialização no labor produtivo, mas todas estas mudanças têm lugar ainda dentro dum regime senhorial, regime que começa também a mudar .

Revitaliza-se o artesanato com certas técnicas e procedimentos, têm lugar uma série de fatores como a pacificação da geografia europeia, dá-se uma restauração das vias de comunicação e repovoam-se as cidades, implicando uma redinamização da atividade artesanal. Todo isto leva à sua vez a que a povoação tenha um maior poder adquisitivo pelo que pode comprar mais variado e maior quantidade de produtos. Ademais a indústria, graças a novos métodos e técnicas produze produtos de melhor qualidade e baixo preço pelo que chega a um público muito amplo.

Na Alemanha aparecem os Altos Fornos (nome dado pela altura das chaminés) o que permite treplicar a produção de ferro. Também a indústria do vidro experimenta uma renovação com maior variedade e qualidade. Por outra parte, os Estados começam a criar exércitos permanentes para garantir a segurança do seu correspondente Estado, facto que causa a demanda de armas o que implica o nascer duma indústria armamentística. A imprensa também experimenta certa industrialização o que vai demandar muito papel, implicando o auge da indústria da celulose. Mas isto também implica algo bem mais importante, a difusão massiva da cultura.

Toda esta longa série de fitos implica uma reativação do comércio, um comércio muito ativo. Mesmo zonas que antes não tinham uma presença comercial destacada agora tornam-se zonas ponteiras da actividade comercial. Os capitais percorrem Europa de mão dos especuladores. E isto trai a necessidade de acumular mais moedas e mais materiais preciosos e isto trai a necessidade de criar mais elementos de valor que inter-cambiar por bens ou serviços, isto é, acunhar mais moedas e obter mais minerais e metais preciosos, o que implica abrir novas minas e ré-vitalizar outras já abandonadas, assim como a apertura de novas rotas de comércio alternativas. É deste modo como Europa entra em ligação com outros mundos até o momento completamente desconhecidos.

Em resumo:

Pacificação da Europa – implicou – Ré-povoamento – implicou – a activação da Europa com 1. sector agropecuário 2. artesanato e 3. comércio – implicou – uma enorme industrialização.

d) Novas orndens políticas

Novas ordens políticas nascem deste novo cenário europeu como Repúblicas, Monarquias Eletivas, Papado, Monarquia Feudal, etc.. Vai haver monarquias que vão reclamar maior autoridade e aplicar um poder maior e mais centralizado.

A burguesia, que em muitos casos supera o poder económico de muitos nobres, acha muitos obstáculos para aceder aos privilégios sociais e políticos dos que goza a nobreza. Os monarcas vão tirar proveito disto porque eles vão querer fortalecer o seu poder e hegemonia pelo que acham pouco útil a nobres que, ao ter pouco poder adquisitivo, não podem manter com eficiência a sua cadeia de fidelidade.  Os reis, na sua procura incansável por um poder maior, aplicarão medidas para eliminar a aquela nobreza que dalgum modo limita o seu poder. Estas medidas consistem em acabar com estas nobreza ou bem ganham o seu apoio incondicional por meio de matrimónios que os emparentam direttamente com a realeza. A ideia é fortalecer a sua hegemonia a qualquer preço.

Os monarcas não apagam os estamentos, mas intentarão convocar aos represetnantes estamentais com a mínima frequência possível. No entanto, é importante lembrar que isto não acontece nos Estados que mantêm uma monarquia electiva como é o caso do Pontificado do Baticano, o Sacro Império Romano-Germânico ou o caso de Polónia.

e) A exploração de novos mundos

Na metade do s. XV têm lugar a exploração de novos territórios até o momento desconhecidos para o que é necessários de motivação, motivação para que poda ter lugar este espalhamento: são, pois, motivos económicos, políticos, religiosos e psicológicos.

1. Procuram-se novas fontes de benefícios económico: comerciantes europeus pretendem reduzir o número de intermediários através dos quais circulam os produtos comerciais. Eles pretendem aceder o mais direitamente possível a produtos de comércio. Os otomanos e o venezianos gozavam duma situação privilegiada enquanto eram um dos eixos do comércio entre oriente e ocidente, mas os comerciantes vão procurar achar novas rutas para evitar estes intermediários.

2. Existe um grande desejo de dominar territórios de propriedade muçulmana. Tomam a iniciativa desta actividade portugueses e castelhanos, os que se deslocam a zonas que ainda não foram contagiadas pela cultura muçulmana para instalar lá o seu marco de influência. Contudo, a vontade de mermar o mundo muçulmano é algo comum à mentalidade de toda Europa.

3. Quanto às motivações psicológicas, são humanistas e sábios que espalham o desejo de conhecer novos mudos, geografias nunca antes visitadas por europeus às que muitos aventureiros, chamemos homens de acção, que se arriscarão na exploração do desconhecido. Os humanistas lembram os textos da antiguedade onde se fala das expansões gregas e romanas. Eles sentem a necessidade de se deslocar para descobrir novos mundos. Por outra parte, este homens de acção são pessoas muito motivadas a viver aventuras trás as quais ganhar uma grande prestígio e gozar dum enorme êxito social, isto é, obter o favor dos grandes poderes políticos e obter substanciosos botins.

Para a exploração deste novo mundo foi necessário obter uma melhor tecnologia. Melhoram-se as embarcações. O Atlântico, um oceano vivo e indomesticável, necessita de naves capazes de suportar as tempestades mais agressivas. Está claro que os joguetes que dominavam o mare nostrum não eram apropriadas para a imensidão atlântica. As embarcações atlânticas são os navios. Será o engenho português o responsável do perfeicionamento dum tipo de navio bem mais sólido e apropriado para se aventurar no oceano. Ele tem lugar no século XV e trata-se da caravela.

Ademais de tudo isto é necessário achar bons pilotos pois falta pessoal experimentado ao se tratar dum novo mundo. Os marinheiros portugueses serão os primeiros em obter esta experiência. É assim como aparecem novas rutas alternativas de comércio, pelas que tem lugar excursões protagonizas pela mais adinheirada burguesia. Estas novas rutas alternativas às habituais são:

1. Ruta de África: Os portugueses dominamos este itinerário. Primeiro os açores, logo a Madeira e finalmente pontos estratégicos no litoral Africano. Isto dará lugar a um comércio de escravos obtidos entre a população africana. Em 1482 consolida-se o ponto comercial de São George e o da Mina. Agora o interesse português é chegar até a Índia.

2. Ruta Terrestre de Europa com Ásia: uma ruta mais uma vez domina por portugueses, pelo interior do continente mas a ligação com Ásia também tem lugar por mar de mão de Vasco da Gama.

3. Ruta de Ultramar para Índia: na procura da Índia atalhando o Atlântico descobre-se o continente Americano.

É deste modo como Europa liga-se com o mundo, exercendo um grande marco de influência. Europa é a maior potência mundial com diferença.

TEMA 2. A POPULAÇÃO E O SISTEMA DEMOGRÁFICO EUROPEU NA IDADE MODERNA

I. O povoamento: número de habitantes e distribuição

Europa conta com um valor aproximado de 10 000 000 de habitantes, mas a distribuição da povoação é desigual onde França é o território mais povoado e o escandinavo o que menos. Mas a quantidade elevada de habitantes também não implica densidade.

Para a obtenção destes dados demográficos acode-se aos documentos eclesiásticos, registos de baptismos, casamentos e defunções. No continente Europeu, incluindo às ilhas britânicas, há por volta de 20 habitantes por km² mas, mais uma vez é necessário ter presente que existem grandes diferenças demográficas segundo a região. Por exemplo, na Itália há grandes diferenças demográficas entre o norte e o sul: o norte está muito povoado com muita urbanização enquanto o sul presenta uma densidade demográfica muito inferior.

O desenvolvimento dos fenómenos urbanos influi muito: há áreas europeias com maiores recursos económicos que atraem a muita povoação. Europa é, pois, um continente no que predomina o rural e o campesinado, o que tem a ver coa tecnologia agrária só permite quantidades pequenas de excedentes o que implica quantidades uma grande dedicação do camponês às suas leiras. O comércio apenas resulta rendível em zonas europeias que têm o privilégio de dar ao mar, por onde vêm os produtos.

A povoação urbana era uma verdadeira minoria. No entanto, existem áreas que presentam valores diferentes. Nos Países Baixos é onde há uma maior povoação urbana, pois são os países mais povoados da Europa. São os territórios cuma das agriculturas mais avançadas e conta cuma magnífica rede de comunicações. Todo isto leva-o a criar grandes quantidades de excedentes. No entanto é importante lembrar que ainda que são os países com maior urbanização este é um valor dado porque tem muitas cidades ainda quando cada uma delas tem poucos habitantes.

Em termos de urbanização, Itália ocupa o segundo posto e a França o terceiro. Ademais de ser escassos os núcleos urbanos, as cidades também eram pequenas. A cidade com maior população é París, depois Nápoles e Londres. Benécia, Sevilha, Lisboa, Porto, Braga e Roma seguiam a listagem.

Quanto a longevidade dos europeus, esta era baixa na altura pois existia uma elevada natalidade mas existia uma enorme mortaldade infantil que impedia a supervivência de muitas crianças ainda que isto acontecia menos na cidade já que à cidade vai gente adulta e há poucos nascimentos. E a esperança de vida é mui baixa. A pirâmide é grosa na base e aguçada no cume.

II. Os movimentos migratórios

Havendo já precedentes de movimentos migratórios em etapas anteriores, na Época moderna continuam. Estes movimentos migratórios são classificados quanto ao tempo, à distância:

1. Migrações Temporais: predominam as migrações estacionais. Grandes grupos de pessoas deslocam-se longas distâncias para cobrir vagas de trabalhos temporais. A população despraza-se em determinadas estações para trabalhar na sega ou na vindimia, entre outras tarefas, para voltar ao lugar de origem uma vez o labor foi cumprido. @s galeg@s, verbi grátia, deslocavam-se à Castela para a sega.

2. Migrações Temporais do artesanato e pequenos comerciantes: eles abandonam periodicamente o lar quer para viajar transportando mercancia para a sua venda, quer para cobrir vagas de trabalho temporal na construção em obras urbanas numa época na que os núcleos urbanos estão a medrar.

3. Migrações Definitivas: têm geralmente a sua origem num deslocamento temporal que acaba por ser definitivo. O sentido favorito são as cidades porque oferecem um número de variedades bem mais amplo. Esta migração permite o crescimento das cidades às que cobram força graças a estes emigrantes.

4. Migrações de Ré-povoamento: territórios anteriormente abandonados são agora ré-povoados mesmo com campanhas de ajuda impulsadas pelos governos. Neste tipo de migrações destacam os emigrantes que se deslocam ao novo continente, emigrantes sobretudo de Portugal, Suécia, Inglaterra e as Espanhas. Ademais, a maior parte destes emigrantes vão a ficar na América de forma permanente.

As causas de todas estas emigrações reside na falta de recursos económicos por parte dos emigrantes, os que se deslocam na procura de trabalho. Os pontos de partida acostumam a ser zonas pouco desenvolvidas, onde Suíça foi um território muito abandonado pelos seus habitantes que partiam na procura de salários mais altos, algo contrário ao que acontece em datas mais próximas a nós. Outra causa é o ré-povoamento de zonas noutras épocas abandonadas. Por outra parte também há motivações de carácter religioso devido à persecução de determinados grupos religiosos: também a expulsão dos moriscos da Península Ibérica. No s. XVI saíram da França um monte de exilados por motivos religiosos e da Inglaterra do s. XVII saíram muitos puritanos para a América. Estas causas religiosas chegam a deslocar a uma grande quantidade  de indivíduos para lugares muito agastados do seu lugar de origem para nunca volta.

III. O regime demográfico antigo

III. 1. Nupcionalidade.

Era comum a todo o espaço europeu o matrimónio precoz e as relações extramatrimoniais tinham certa presença, ainda sendo mal vista. De média os nascimentos não legítimos representavam um 2% e na cidade um 5%. Eram mecanismos da sociedade europeia pelos que se regulavam a natalidade.

III.2. Natalidade.

As mulheres tinham um taxa de fertilidade entre os 15 anos que mesmo se pode reduzir ainda mais devido à alta mortalidade da época. As famílias acostumavam ter entre 6 e 7 filhos mas a mortalidade infantil era verdadeiramente alta.

III.3. Mortalidade

As causas da mortalidade giram por volta de 4 factores:

1. A falta de higiene no âmbito individual e social. A maior parte da sociedade convivia com os animais em casa. Nas urbes não havia sumidoiros nem serviços de limpeza. Os cavalos e animais de transporte lixavam a cidade. O rural e o urbano, ambos eram focos de infecção e insolubilidade.

2. A alimentação não era abundante e ademais era habitual uma dieta monótona: cereais em forma de pão, sopas e caldos. Uma dieta muito pobre e baixa em proteínas. Havia ademais épocas nas que a fome se acentuava.

3. Epidemias: as enfermidades contagiavam-se com facilidade, especialmente nos núcleos de povoação amplos. Ademais de todo isto não havia uma ciência médica desenvolvida.

4. Não eram já frecuentes os conflitos bélicos mas é certo que sim tinham lugar em áreas determinadas da Europa pelo que o índice de mortalidade elevava-se nessas zonas.

Há uma esperança de vida realmente baixa, muito baixa, à que se lhe podem atribuir mais dois factores que elevam a mortalidade.

1. Tem lugar uma elevadíssima mortalidade infantil e juvenil. 25% de nascidos que morriam no primeiro ano de vida e uma 8% de mortos de todos os nascidos na Europa morriam no primeiro mês de vida. Só a metade de todos os nascidos que sobreviviam chegavam aos 20 anos. Tudo isto devido a causas endógenas e exógenas. Endógenas: maçaduras durante o parto e mal-formações. Exógenas: as que se acham depois dos primeiros resfriados superados durante os primeiros anos de vida. Doenças como a biruela, a gastroenterite, escarlatina, ruviola…

2. Em períodos concretos eleva-se ainda mais a mortalidade. Cada certo tempo a mortalidade incrementava-se por crises de subsistência (perda de colheitas que dá lugar a fomes). Escasso desenvolvimento de meios para deslocar produtos alimentícios duma zona a outra. A mortalidade ordinária aumentava e perdurava até a recuperação do nível de colheitas. Durante estas épocas diminuíam os matrimónios, o número de nascimentos e aumentavam as defunções. Também se contagiavam em cadeia grandes epidemias como a peste, relacionadas com ao aumento de roedores, especialmente de ratos e leirões. Mal aumentava a população de ratos as pulgas saltavam às pessoas a transmitir-lhes a doença. Quando os humanos desenvolviam a enfermidade até um estado crítico eles eram capazes de se contagiar uns aos outros. Quando a peste afectava aos pulmões a esperança de vida era absolutamente nula e era perigosamente contagiável. Neste aspeito, observa-se como os dirigentes das cidades em tempos de epidemias fugiam para zonas isoladas do rual.

IV. A evolução demográfica secular.

Temos a ter em conta que o crescimento demográfico desde a antiguidade é muito lento, também lento na Época Moderna. Crescimento demográfico condicionado pela tecnologia agrícola. A activação comercial vai ter um protagonismo grande. Também influi a pequena ciência médica.

O crescimento sempre foi bastante limitado, com etapas de estancamento demográfico. Existiram, pois, etapas concretas com um crescimento rápido, outras etapas de desaceleração demográfica e logo, no século XVII terá lugar um novo crescimento demográfico que perdurará até a actualidade.

IV. O crescimento do século XVI

O século XVI é uma etapa de crescimento de povoação, ainda que é certo que isto é algo que varia enquanto à região. Nalgumas áreas europeias prolonga-se este crescimento mentres noutras zonas é um período curto de tempo. Assim é que o crescimento demográfico é muito desigual dependendo das zonas.

A principal causa que leva a este crescimento demográfico do s. XVI é a recuperação económica da Europa depois da pacificação do continente.

Também é certo que neste século XVI as crises demográficas não foram tão acentuadas como em períodos anteriores nem serão tão graves como no século seguinte.

Em bastantes áreas do Continente não há conflitos como sim os haverá no s. XVII. É observável como o crescimento é superior nos Países Baixos e na Inglaterra enquanto no âmbito escandinavo não se aprecia crescimento. No século XVI também se observa como medram as urbes, uma marca diferenciadora própria da Época Moderna em contraste com a Idade Média. Muitas cidades chegam a incrementar a sua povoação num 50%, havendo urbes como Londres ou Amsterdam que são capazes de quadruplicar a sua povoação. É evidente que o crescimento urbano está direitamente ligado com a consolidação da actividade económica. Desde começos desta Época Moderna.

TEMA 3. A SOCIEDADE EUROPEIA NA ÉPOCA MODERNA

1. Modelos e arquétipos de diferenciação social (Teoria e conceitos básicos)

1.1. Estratificação e divisão da sociedade.

Estratificação social significa que a sociedade está divida em estratos. Este é um termo adoptado da geologia por R. Mousnier. Ele fala duma ordem hierárquica da sociedade mas a diferença das capas geológicas onde cada uma está perfeitamente delimitada e onde é impossível a mistura entre uma e outra, a sociedade moderna sim é permeável. O que sim podemos dizer é que a sociedade moderna está organizada em três grupos fundamentais chamados ordens. Estas são os Oratores, os Bellatores e os Laboratores. Pois, são três grandes grupos entre os que há relações, especialmente entre os Oratores e os Bellatores, unidos por interesses comuns, para fortalecer e incrementar o seu poder. Dentro de cada grupo também há variedade. Por exemplo, dentro dos laboratores há camponeses e artesãos. Contido há que falar também da convivência de castas formadas por aqueles indivíduos que se marginam assim mesmos ou que são marginados pela sociedade. Eles são esmoleiros e leprosos e ao igual que se vão consolidando as castas também começa a aparecer outro grupo social, a burguesia ou comerciantes, uma série de indivíduos que tomam consciência de sim mesmos e eles, por si, isolam-se do resto de grupos sociais baixo um concepto elitista. Estas isolações dos grupos sociais, quer sendo a sociedade que os força ao isolamento, quer seja por eles mesmos que gostam de se diferenciar, fundamentam-se em critérios étnicos, profissionais e até físicos (doentes, mendigos, estrangeiros, etc..). Contudo não se pode aplicar o significado indu do termo Casta, pois no caso da sociedade moderna havia casos nos que alguns membros das castas podiam mudar de situação como mendigos que achavam trabalhos, obtinham algo de capital e, como consequência, mudavam de vida.

Outra nomenclatura social aplicada na Idade Moderna é o dos estamentos herdados do Medievo mas se nesta época precedente eles são, pelo menos na teoria, herméticos, em época moderna eles são bem mais permeáveis até o ponto no que chega a ser insólito mas possível que alguém procedente duma família camponesa adinheirada pode aceder à nobreza por meio dum matrimónio. Ademais, a mobilidade social não é unicamente ascendente, mas também descendente onde os indivíduos podem passar a uma situação social inferior, caso de camponeses que em tempos de malas colheitas e dívidas passam à mendicidade, por citar um exemplo. Por outra parte o reconhecimento da pertenza dos indivíduos às diferentes grupos sociais dependente da localidade pois é assim que um nobre da Alemanha pode ser não reconhecido como tal em Inglaterra e, por tanto, não lhe são aplicados os seus direitos. Ainda mais, este reconhecimento da pertença dos indivíduos aos diferentes grupos sociais pode variar a nível regional, tão é assim que um ferreiro de Toledo talvez não é reconhecido como tal em Navarra, por exemplo, onde não se lhe permite exercer dita profissão. Outra prova disto é como uma palavra pode ter diferentes significados dependendo da região ainda baixo o mesmo País ou reino. Na França com a palavra Laboureur nuns lugares entende-se a uma família de camponeses adinheirada com muitas propriedades enquanto noutra zona significa apenas labrador.

Desde um ponto de vista Marxista, trabalha-se com o termo de classe social, termo que também usa a antropologia social. Enquanto na sociedade de ordens há diferenças de caráter jurídicas, na classe social prima o fator económico. Assim é como numa sociedade de ordens um indivíduo é poderoso e, como consequência, é rico enquanto na sociedade de classes um indivíduo é rico e, como consequência, é poderoso.

A Sociedade de Ordens tem diferenças jurídicas mas na sociedade de classes desaparecem as diferenças jurídicas. A classificação está em fatores económicos e sociais. Na sociedade um indivíduo é poderoso e como consequência é rico (Sociedade de Ordens). Na sociedade um tem dinheiro e, por tanto, é poderoso (Sociedade de Classes).

Labrousse estuda todas as crises agrárias antes de 1789, data na que se perderam muitíssimas colheitas, o que causou grandes tensões entre camponeses e nobres, desencaminhando na Revolução.

Está a surgir uma nova classe social, a Burguesia. A antropologia fala de classe social como grupos que possuem ou carecem de poder na mesma proporção. Em grosso modo há uma classe dos governantes e dos governados. É necessário que os integrantes duma classe social têm identidade de si próprios e de solidariedade entre eles. Desde o ponto de vista económico os grupos sociais altos explodem às classes baixas. Os antropólogos explicam como se dá esta coincidência com o marxismo:

1. Classe baixa com faltas vs classes altas com luxos.

2. Os luxos dos dirigentes procedem do aproveitamento da classe baixa.

3. As privações do setor produtivo de gerar bens de necessidade.

4. As classes sociais diferenciam-se umas das outras também pelo seu estilo de vida.

Existem contrastes culturais entre as classes sociais. Cada classe social tem associada uma subcultura. A arquitetura também marca as diferenças sociais: um camponês habita uma casa pequena, sem jardins, com os estábulos integrados na vivenda, enquanto os poderosos viviam em palácios e mansões. Também havia diferenças na gastronomia pois os poderosos pegavam em carnes e peixes com uma dieta abundante e variada enquanto as classes baixas comiam apenas papas e sopas. Outra das diferenças estava na celebração da religião: Os camponeses misturavam superstições com a religião e a missa estava condicionada pelo horário de trabalho, enquanto os poderosos acediam aos mais altos cargos eclesiásticos e mesmo podiam ter capelas próprias.

Ideologicamente o nobre tem uma mentalidade próxima aos monarcas, enquanto os camponeses centam-se em conservar os seus escassos bens.

As classes sociais tendiam a se reproduzir entre membros dessa mesma classe social. Havia também aquelas minorias que chegavam a fazer uma caste.A sociedade europeia dos séculos modernos era uma sociedade dividida, não estratificada, em ordens e Estados. A sociedade europeia organizava-se em Oratores, Laboratores e Belliatores.

II. Estamentos privilegiados

a. Nobreza:

É uma palavra muito imprecisa. Representa cousas muito diferentes. Foi tal a plofiraçao de indivíduos que se incorporaram a este estamento que se modificam os termos. Há nobres que nascem sendo nobres e há outros que são nomeados. Nascem termos para denominar aos diferentes nobres. Nobre na modernidade significa o quê? Há que ter em conta quatro caraterísticas:

1. Os nobres têm consciência de si próprios como uma estirpe.

2. Ainda herda quotas do poder bélico.

3. Ainda se pode associar a um regime feudal/senhorial.

4. Os nobres a priori, identificam-se pelos seus grandes privilégios.

Os nobres valoram muitíssimo a antiguidade do seu título e só os varões herdam o título nobiliário. No entanto, a nobreça mais antiga acaba por integrar com o percurso do tempo a novos nobres que conseguem o seu título por dinheiro ou méritos militares.

A nobreça continua a conservar o seu carácter militar já que em época moderna seguem exercendo um monopólio da violência. Eram capazes de dispor dum séquito armado privado. Estes séquitos podiam organizar umas tropas que podiam ser reclamadas pelo monarca em caso de guerra. Ademais a nobreza é o único grupo que pode estar armado. A espada é símbolo social. Ademais era um prestígio fazer gala da destreza com a espada.

Os monarcas intentarão controlar este monopólio que a nobreza tinha nas armas, algo no que não têm muito sucesso. Em diversas áreas há conflito entre alguns nobres pelo domínio dalguns poderes ou territórios. No caso francês havia uma prática de bandidagem por parte da nobreza.

Na época moderna ainda há certa inércia do medievo pois continua a haver uma nobreza feudal, com tradições e costumes doutrora. Segue-se a conhecer a uma nobreza senhorial. A potestade dos senhores para plicar justiça e para eligir aos funcionários, conservam o domínio de terras, direito e conservam o sistema de vassalagem. Também está incluída na vassalagem o serviço militar em caso de guerra ainda que isto vai caindo em desuso.

Os nobres da modernidade são possuidores de grandes bens, entre eles terras pelas quais recebem rendas. A riqueza é uma qualidade que adjetiviza à nobreza. Os nobres possuem muitas terras o que lhes dá muito dinheiro mas os nobres também têm propriedades nas cidades onde arrendam vivendas da sua propriedade. Assim é que têm renda senhoral e renda de propriedade urbana. Algo mais da metade das terras que estão a ser trabalhadas pelo campesinhado são arredadas e explotadas por nobres.

Deve-se ter em conta que os nobres possuem uma série de características próprias como arrendador já que há outros estamentos arrendadores como o campesinhado adinheirado.

Um nobre recebe diferentes rendas: rendas pagadas em espécie ou em metálico. Existe uma diversidade de tipo de rendas e formas de pago. O habitual é que um arrendador recebesse diferentes tipos de rendas. Os nobres acabavam convertendo-se um urbanos. Os seus antepassados já abandonaram as casas do campo para viver nas cidades, geralmente nas de maior tamanho, vivendo do dinheiro das rendas. As rendas que cobrava no campo são gastadas na cidade. Uma boa parte da produção agrícola não voltava ao campo, o que causava que os nobres necessitassem grande quantidade de dinheiro pois para sufragar os gastos da sua vida urbana e com luxos necessitava muita riqueza.

Os nobres têm diversos privilégios: honor (vivem com um tipo de vida ostentosa, com perícia em armas, não duelar com pessoas não nobres, etc..). É dizer, ocupavam também posições distanciadas da sociedade. No exército ocupavam os distintivos mais elevados. Os nobres sempre estão cerca do monarca pelo que ocupavam os cargos públicos mais prestigiosos. Também a nobreza ocupa os altos cargos do clero.

Os nobres têm uma série de deveres, não tudo são privilégios. Eles têm de servir ao rei e obedecer todas as suas encomendas. Tinham que manter a sua condiçao de nobre e ser capazes de transmiti-la aos seus descendentes com um matrimónio honroso e digno. Deviam ser capazes de demostrar a sua nobreza, incrementar os seus bens e títulos nobiliários.

Não é o mesmo um nobre no norte italiano do que no sul italiano, por exemplo, ou um nobre da centro-Europa ou na Irlanda. Assim, a nobreça puta de Castela tem uma graduação honorífica interna que responde a um interesse concreto, separar os novos dos de grande linagem.

Os nobres tinham baixo o seu controlo muitas terras e bens. A começos do XVI a nova nobreça não contenta à velha nobreça. Por isto, durante a metade do XVI, no âmbito latino é dito que os nobres não podem participar em atividades comerciais, ainda que há alguns setores que não têm inconvenientes em que os nobres realizem atividades comerciais. Em qualquer caso com o tempo esses pré-juízos desaparecem pela pressão exercida por parte dos comerciantes que chegam a nobres. Ademais, a monarquia também promovia que os nobres pudessem comerciar. Contudo, a maior parte dos ingressos da nobreza seguia procedendo das terras.

A fins do XVI, com a revolução do campesinado, muitos nobres compraram terras livres aos proprietários camponeses incorporando a alguns destes à nobreza. Observa-se como nalguns casos há indivíduos cujas riquezas se vêm abaixo devido a:

1. Ostentações: para manter o honor os nobres tinham de fazer grandes gastos: festas, manutenção do séquito militar, construção da própria residência, etc..

2. Variação dos ingressos da terra: tendência a cobrar rendas pelos cultivos das terras Era uma renda fixa e , havendo épocas de crise, essas ganâncias eram escassas. Ademais, devido à inflação, estas rendas ficavam obsoletas (subiam os preços mas não o cobro de rendas).

3. Gastos fixos: serviço à coroa que exigia adiantar dinheiro, pagamento de dotes, etc..

a.1Fidalgos e Cavaleiros:

Esta estratificação foi produto de três processos causados pela perda de importância o facto de que um cavaleiro fosse nomeado cavaleiro de prestígio: aparece a figura do cavaleiro religíoso onde o hábito substitue aos símbolos bélicos; a glória por si própria não abonda, tem de ir acompanhada de fortuna económica. Em 1521 Carlos I decide estabelecer os privilégios que vão a diferenciar a grande nobreza da baixa nobreza relacionando com o comportamento do nobre. Um nobre grande pode permanecer diante do monarca, isso sim, cumprindo uma série de atitudes de cortesia como tirar o chapéu, por exemplo.

Neste sentido há indivíduos pré-nobiliários. Nobres de duvidosa vericidade do seu título: fidalgos.

Os fidalgos respondiam à baixa nobreza com uma riqueza territorial que podia ser maior ou menor: fidalgos de vida a menos ou endinheirados. Chegava a haver mesmo fidalgos que tinham de trabalhar eles mesmos a terra. Os endinheirados, pela contra, concediam estudos universitários aos sues filhos para procurar postos de relevância e a promoção.

Cavaleiros: ligado ao eido urbano. Grandes propriedades urbanas são deles. Chegam ao cargo de regedores.

b.2. Os Grandes

Têm maior grao de poder e riqueza. Os seus patrimónios são diversos, espalhados por uma grande extensão geográfica e imensos. É o setor da nobreza que exibe um maior prestígio social.

b.3. O Morgado

O morgado castelão diz que o património duma casa nobre passa ao primogénito segundo quatro princípios:

1. Linha sucessória direita (pai a filho)

2. Grão de parentesco (o parente varão mais próximo).

3. Sexo dos herdeiros (preferentemente varões excepto que não ficasse outro remédio).

4. Idade dos mesmos.

Se um indivíduo procede a fundar um morgado passa pela linha sucessória mas se este morrer e não tiver descendência é necessário recorrer ao grão de parentesco buscando ao seguinte indivíduo mais achegado em parentesco.

O rei tem de dar uma licença ao seu súbdito para que este poda criar um morgado, ainda que isto é apenas na teoria. Desde 1505 existe a posssibilidade de que uma família funde uma melhora. Mais da metade dos bens ficam para um só herdeiro ao qual se lhe aplica o esquema hereditário do morgado. No morgado também era dever do herdeiro garantir o pago de dotes aos seus irmãos e irmãs mas não podia usar a riqueza do tesouro herdado, mas com os benefícios que estes geravam.

Um morgado estabelece o esquema herdeiro de tal modo que os bens duma família fique nessa família. Isto também tem lugar em toda Europa ainda que varia segundo os diferentes lugares.

Um indivíduo em vistas de que vai morrer pode fundar um morgado ma se sobreviver o herdeiro beneficiado ainda não podia fazer uso nem administrar a herdança.

A mulher ficava excluída de ser beneficiada diretamente da fundação dum morgado ainda que isso era apenas na teoria já que na prática às vezes um morgado podia beneficiar a uma mulher. Ficavam também excluídos do morgado religiosos, tulheitos ou ladroes.

Há uma série de condições:

1. Deve residir na casa nobiliária e ainda que seja simbólico todos os irmãos têm de ir à casa familiar.

2. Devem casar com pessoas dum estamento ou duma casa de linhagem igual ou superior.

3. Também há um regime patrimonial concreto: edifícios, fincas, rendas, etc..Parte destas propriedades podem ser excluídas do morgado para deixar-lhas a outro herdeiro.

4. Os bens do morgado não se podiam vender nem tocar e só se podiam hipotecar com uma licença do monarca. Sim se podiam fazer melhoras nesses bens, aumentar o valor ou a quantia destes.

b) O Clero

Igual que a nobreça, no clero existe grande diversidade. Não é o mesmo um eclesiástico em Portugal do que em Noruega, veribi gratia. Também na Europa há diferentes Igrejas. Não existe um único clero europeu.

Dentro das distintas Igrejas há também diversidade. O clero permite alcançar uma certa ascensão social duma família. O clero tem um grande poder, a capacidade de transmitir valores e propaganda do governo à população. As distintas Igrejas europeias vão ter todas elas importantes bens, propriedades e dinheiro. O clero também vai ter uma grande capacidade para exercer a censura, impossibilitando que se podam espalhar certas teorias ou ideologias. Outra caraterística comum a todas as Igrejas europeias é a sua capacidade de influenciar à sociedade porque é quem tem o monopólio do ensino. Também são estruturas que geram demanda de mão de obra. Todo isto até o século XVIII, época na que os monarcas absolutos põem fim a esta ostentação de poderes por parte da Igreja.

Nalgumas áreas europeias a sociedade vai desenvolvendo um sentimento anticlerical por mãos da inteletualidade. Desta como um bom exemplo França. Este sentimento anti-religioso é acolhido pelo povo farto das repressões dum clero que goza de muitos privilégios e mesmo desatentem as suas funções espirituais. Também se abrem possibilidades para exercer outros credos. Mas todo isto tem lugar após o XVIII.

b.1) A Igreja e o clero nas monarquias católicas:

…………………… Temas por livre a preparar aqui, no Clero, para completar …………………………..

b.2) A Igreja e o clero nas monarquias não católicas:

1. Igreja Ortodoxa: Clero que alcança grande independência até o século XVIII. (Destaca em Rússia). Conta com grandes patrimónios rústicos, com um clero que formava aos grupos privilegiados. É um clero mui ruralizado e que pode ceder parte dos seus bens à sua descendência. No XVIII abole-se o patriarcado, ré-convertem aos cleros em vozeiros da propaganda do governo e espremiam-se, por parte do governo, grande parte dos bens da Igreja.

2. Igreja Luterana: (Escandinávia) É um clero dominado pela Igreja. No âmbito paroquial tem muita pobreza. É um clero incapaz de fugir da tutela da nobreza já que é esta quem nomeia aos cargos eclesiásticos. No percurso do XVII os monarcas intentam que este clero seja útil à sua política, usando-o para a instrução do povo.

3. Igreja Luterana Centro-Europeia: a povoação luterana representa 90% do total. Vai tendo uma grande relação com o Estado. Os pastores deviam estar aconselhados pelas autoridades locais. A nível local tem um grande poder ao estar os clérigos vinculados com o Estado. Eram, também, o meio de fazer chegar a vontade do governo ao povo.

III. Pobres e marginados

a) Vagabundos e errantes

Conjunto de vagabundos eram trabalhadores temporais. Também se incluem ladrões, etc.. Estes grupos aumentavam em épocas de campanhas bélicas, malas colheitas ou propagação duma doença. Caso fosse a perda de colheitas aumentavam os meninos que iam a mendigar e até mesmo famílias inteiras. Em muitos casos estes indivíduos praticavam a piratearia, o saqueio, etc.. A proliferação da povoação mendicante estava, em grande parte, formada por camponeses. Isto vai fazer com que se lhe deia uma nova visão à pobreza. O humanismo cristão chegava a dizer que os pobres eram os acreedores da sociedade e que se podiam sustentar, enquanto os mendigos iam mais lá da pobreza. A medida que avança a contra-reforma a povoação errante passava a se normalizar na sociedade. Chega-se a pensar que se o indivíduo chega a essa situação é porque não quere trabalhar. É por isto que se aparta da povoação a estes grupos mendicantes. Com a generalidade disto também aparece a caridade com a ideia de aplacar estes males. Explica-se assim que eles roubavam para ganhar-se o sustento.

b) A Beneficência:

O grupo urbano reaciona para levar um controlo da classe mendicante. A beneficência nos séculos modernos é quando se formula a ideia de atender de forma metódica aos mendigos. Estava claro que os Estados cristãos deviam dar conta daqueles súbditos menos agraciados. Tanto protestantes como católicos colaboraram com as iniciativas de cada Estado de erradicar ou, pelo menos, controlar a mendicidade. Chegou-se a regular até tal grão que os esmolantes deviam estar censados como tais para poder exercer a mendicidade. A administração local, isto é, os concelhos regulavam isto por meio da monarquia. É assim que aumentam os hospitais e asilos. Os hospitais eram, nesta época, apenas centros onde dormiam comiam os mendicantes. Outra das medidas aplicadas era aplicar campanhas para formar aos esmoleiros para coloca-los em postos de trabalho, mas isto só era fatível naqueles mais aptos, excluíndo aos doentes e tulheitos. A beneficência procurava beneficiar mais bem espiritualmente ao mendicante do que materialmente.

As próprias autoridades policiais exerciam um controlo destes indivíduos para expulsar a aqueles mendigos que não estavam censados como esmolantes. Burgueses, Igreja e nobres contribuíam, geralmente, para a construção de hospícios.

c) Escravos

Na Idade Moderna existia a escravidão na que podemos diferenciar dous tipos:

1. Coloniais: eles erão rum produto de comercialização. Erão capturados nas colónias, geralmente nas africanas, e vendido na Europa e na América. A escravidão espalha-se face o Atlântico, com escravos geralmente de origem subsariana. Foram os portugueses os primeiros em comerciar e exportar escravos coloniais. Mesmo se traiam escravos para trabalhar em Portugal. É assim que nos portos de mar concentrava-se muito comércio de escravos.

2. Feudais: está relacionada com a metalurgia (a minaria escocesa) e o setor primário. Os mineiros na Escócia não se podiam deslocar do lugar de trabalho e estancava-se o seu salário. É por isto que os mineiros ficavam forçados a uma forma de escravidão, escravidão que também se aplicava a aquela indústria relacionada com o carvão como é a metalurgia.

Em Rússia alguns servos agrícolas perderam a sua condição de servos livres. É assim que se podia chegar a escravo por dívida, captura por guerra e até mesmo por um contrato no qual um indivíduo podia alcançar a condição de escravo temporalmente.


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